Negro Hotel - Um Poema de Victor S. Gomez

Negro Hotel - Victor S. Gomez

Em qual parte do tempo eu me perdi?
Em qual lugar distante fui jogado?
Quanto tempo se passou até agora?
A qual distancia estou do sofrimento?
Me encontro em um hotel na beira de uma estrada,
é noite escura,
e um pássaro negro espreita em minha janela,
ele me vê e se afasta voando.
E eu apenas observo o tempo passar.
Um vulto montado em seu cavalo negro,
com vestes negras como a fome,
e ele gargalha da minha solidão.
Desço as escadas,
ninguém no salão me vê passar,
pareço mais uma sombra do que um homem.
Paro na beira da estrada,
o sol já se pôs há horas,
e também me abandonou,
vejo agora só a noite escura à minha volta.
Tenho medo de toda escuridão que me cerca,
da solidão que me acompanha,
e na estrada só carros negros passam por aqui.
Volto e entro no hotel,
agora paro no salão,
no piano alguém toca,
"The Ballad of Ira Hayes".
Essa música me espreme por dentro,
e suga todo meu calor.
Subo as escadas correndo,
e me tranco no quarto.
O que esperar dessa vida sem sabor?
O que esperar de tudo que me angustia?
O que esperar de toda essa escuridão que se aproxima?
Olho pela janela novamente,
e a escuridão avança,
chega mais perto,
e o hotel começa a sumir,
e eu sumo com ele,
nem sei para onde,
talvez algo melhor surja à minha frente 

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