Poeira - Um texto de Victor S. Gomez

 Poeira - Um texto de Victor S. Gomez

Ele não aprendeu o que precisava,
não se preparou da maneira correta,
não levou nada a sério,
nem sequer seguiu o que lhe ordenava a razão.
Sempre pensou que o mundo se colocaria a sua disposição,
e que teria tudo que precisasse sem nenhum esforço,
sempre seguindo sua vontade,
seu próprio caminho,
sem nunca dar ouvidos a ninguém.
Não se embarca na vida sem pensar,
não se segue o ritmo apenas por seguir,
a vida te ensina,
te prepara,
mas é preciso fazer certas concessões,
tentar aprender um pouco.
Seguir no seu tempo,
isso talvez fosse possível,
queria acreditar que sim.
Nem todo esforço que fez durante todo seu tempo de vida,
nada foi suficiente.
Como conseguiria algo melhor sem preparo?
Nem toda palavra de quem quer que fosse,
nem todo aviso que lhe deram,
nem os gritos que ouviu durante toda vida,
nem toda oração silenciosa serviu para alertá-lo.
O vento gritou com ele:
sinta-se avisado,
perceba o que lhe reserva o futuro.
O canto da cigarra lhe enfeitiçou,
e não notou o que acontecia,
suas rugas aumentavam,
seu sofrimento o enfraquecia,
e o peso que sentia ao caminhar era cada vez maior.
Oh, vida deixe-o de lado,
talvez assim ele continue por aqui por mais alguns dias.
E seguiu aquele caminho pela última vez,
olhou para um lado e para outro,
e depois de um longo período,
ele pensou que podia apenas ficar sentado no banco de uma praça,
sem fazer nada,
então o tempo foi passando;
e sem se dar conta,
primeiro o tempo levou suas ideias,
sua mente,
depois levou suas roupas,
e em seguida começou a levar sua pele,
seu corpo...
E logo depois o transformou em poeira.


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