A Beirada do Fim do Mundo - Um conto de Victor S. Gomez

A Beirada do Fim do Mundo - Um conto de Victor S. Gomez


Talento, isso eu sabia que tinha, não precisava ninguém me dizer. Conhecia de tudo. Sabia de geografia, ciências e história do mundo velho como nenhum professor saberia. Podia me perguntar qualquer coisa. Eu sabia tudo e mais um pouco.
Sabia, por exemplo, que aqui no lugar da nossa cidade, já existira um deserto. E que antes desse deserto, que não era pequeno, se espalhava por quase um terço do nosso planeta, um imenso mar cobria suas areias. Nesse mar de ondas incessantes, as naus da guerra bailavam imponentes e assustadoras, em busca de novas conquistas e mais tesouros para o imperador Damásio da Cinésia. Essas naus, com suas velas içadas e estufadas pelo vento, impressionavam pelo tamanho e beleza. Seus oitenta e dois canhões de puro bronze se incumbiam de destruir e arrasar tudo pela frente. Seus marujos de roupas coloridas e alegres não escondiam toda sua força, instinto selvagem e maldade quando em combate. Os comandantes dessas naus, todos impecavelmente bem vestidos, com seus chapéus de penas enormes, exigiam que seus comandados não deixassem nada de pé, espalhando o terror e o medo em nome da coroa da Cinésia. Nas suas conquistas estava incluída a devastação do país dos Hiros.
Contam que o capitão Ubaldo chegou às praias dos Hiros, com trezentas e vinte e cinco dessas imensas e grandiosas naus, todas fortemente equipadas para a guerra. Era um dia de muito sol no país dos Hiros. Situado um pouco abaixo da linha do Equador, essas terras tropicais favoreciam muito a agricultura. Nesse dia todo o povo comemorava o início da colheita e rendia graças à deusa da fertilidade. Estavam todos aglomerados na praça central da cidade, festejando com danças e muita comida, quando começou o bombardeio. Bolas de fogo cruzavam o céu, como se anunciassem o fim dos tempos. Foram pegos de surpresa. As tropas do capitão Ubaldo já haviam desembarcado e cercado a cidade. Dezenas de milhares de homens truculentos, e muito bem armados estavam dispostos a esmagar tudo o que encontrassem pelo caminho. Nada foi poupado. No final da batalha o que se via, eram milhares de corpos espalhados pelo chão e prédios ardendo em chamas. Enquanto a cidade era pilhada, e seus tesouros iam sendo levados para as naus, todos os homens e velhos que restaram eram enforcados. So-mente as mulheres e as crianças foram poupadas. Levados como escravos, esses poucos sobreviventes serviram seus senhores Cinésios durante anos...Continua

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